O amor é o desejo. Desejar muito alguém é amá-lo. O sentimento de paixão é esse desejo a manifestar-se no nosso ser, é a máquina que faz o amor instalar-se. Mas esse desejo acaba. Nada dura para sempre. Nada mesmo, acreditem.
Então o que faz duas pessoas manterem-se juntas durante anos? Qual é o sentimento?
É difícil definir, porque não é um sentimento. São muitos. São os sentimentos que a paixão e o desejo criaram. São memórias. São vivências. É o medo. É a amizade. É conhecer o outro. Suportá-lo. Parece muito directo, mas tudo se resume a suportar o outro. E gostar o suficiente para entender que para ser suportado por alguém, é necessário ser suportável.
São as memórias dos momentos que passaram e que ficaram, que elevam algo em nós que outra pessoa ou recordação não conseguiria. É isto que faz manifestar os sentimentos de amor e amizade, os carinhos no casal, a sua aproximação.
O medo… o medo é outro sentimento existente numa relação que a mantêm unida. Aliás, o medo mantém muita coisa neste mundo. Neste caso falarei no medo do que as pessoas diriam se algo acontecesse ao casal “perfeito”. O medo de magoar o outro. O medo por causa da família, dos filhos. Medo de não saber o que vai acontecer, onde morar, que complicações traria à vida. Medindo este medo, é que a pessoa sabe se o que gosta do outro é suficiente para evitar a separação e enfrentar os problemas que a mesma traria. E aí há a cobardia de enfrentar o medo, ou a facilidade para o fazer, por não aguentar o sentimento. Nem sempre se trata de coragem.
A amizade. O sentimento mais nobre do ser humano. É um sentimento que nos faz ser altruístas, prejudicando-nos em prol do outro. Numa relação não seria diferente.
O amor perfeito não é mais do que o equilibro exacto de todos estes sentimentos. As crises dos casais não são mais do que uma avaliação de tudo aquilo que nos vai no coração e na alma. Ser amado é muito mais difícil do que amar, pois não depende só de nós. Procurar o amor é algo que todos fazemos. Mas é utópico. O amor não se acha. O amor não se constrói. O amor não existe. O amor somos nós. O amor é saber viver e deixar viver. O amor é compreender que se formos tudo o que queremos ser, então seremos felizes. Mas não é apenas deixar acontecer.
Deixar acontecer as coisas é como ver um jogo de futebol. No fim do jogo nada há a fazer senão criticar o árbitro. Viver é também fazer escolhas. Essas escolhas trazem consequências. Escolham bem. O resto acontece. O amor não existe, mas a felicidade sim. Sejam felizes nas vossas escolhas.
Luís Vieira – 27 de Junho de 2009