18 junho 2006

Ele há coisas!

Decerto que já vos aconteceu. No outro dia passei por uma árvore, uma laranjeira para ser mais preciso. Estava em flor, e o seu perfume inundava toda a rua. As pessoas apressadas ou nos seus carros nem ligavam. Mas este perfume... Fez-me qualquer coisa. No momento em que o senti, transformei-me. Algo mudou em mim. Fiquei... conhecem a sensação? Relembrei outros tempos. Não era nem mais feliz nem mais infeliz. Eram outros tempos, outras preocupações. Relembrei o perfume das laranjeiras do Algarve, em que toda a minha cidade ficava inebriada com o perfume dos laranjais em flor. Relembrei o meu quarto, com a varanda voltada para o rio, rodeada de montes, verdura salpicada de casas. Um cidade que me viu crescer e me viu partir. Uma cidade que com os seus defeitos e virtudes me fez no que sou hoje. E talvez por isso, olhe para ela, com saudade mas sem vontade. Nós somos o que lembramos, o que vivemos. Será? Olha o aqui vai por causa de uma laranjeira. É bom lembrar. Onde estava e onde estou, é uma excelente forma de exercitar o nosso ego, auto-estima e força interior. Estarei melhor? Poderia estar melhor? O meu percurso até hoje, foi bem percorrido? Estou sozinho, tenho amigos? São perguntas que por vezes é bom fazer. Com alguma frequência, para que possamos emendar erros depressa. Olha só o uma laranjeira pode fazer a uma pessoa! Ou antes, o perfume da sua flor.
Ainda hoje lembro-me do perfume da minha namorada no dia em que a conheci. Podem pensar que tenho uma obsessão por perfume. Talvez tenha é uma boa memória olfática, se é que isso existe. Mas as lembranças que advêm desse perfume são diferentes. São boas e estão ainda presentes. Numa relação a reflexão deve ser constante. Seria mau se precisasse de um perfume para me relembrar.
Tudo por causa da flor da laranjeira... Ainda bem que só florescem uma vez ao ano.
Já sentiu o perfume da laranjeira hoje?

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poema ao acaso